Quando o bebê “abre demais” as perninhas (posição de sapo) ou tem dificuldade para levantar as pernas em supino, o tronco perde estabilidade e os braços viram apoio — em vez de explorar. Nesta aula prática do Módulo 4, juntamos duas aplicações que se somam:
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Suporte para flexão de quadril (ajuda o bebê a “achar” as perninhas e ativar abdome), e
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Correção da abdução excessiva (traz o quadril para uma posição mais neutra e favorece a linha média).
O resultado esperado? Mais estabilidade de tronco, mais simetria e transições motoras mais fáceis (rolar, apoiar, alcançar os pés).
Por que levantar as perninhas e limitar a abdução ajuda?
Entre 4 e 6 meses, surge a flexão antigravitária: o bebê levanta pernas e braços contra a gravidade. Esse marco ativa reto abdominal e oblíquos, estabiliza a pelve e equilibra flexão/extensão (conceitos difundidos pela Dra. Beverly Cusick). Quando há abdução excessiva, a pelve “desancora”, o tronco desestabiliza e o bebê compensa (dificulta rolar e engatinhar).
A literatura reforça o caminho:
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Controle de tronco se desenvolve crânio-caudal; suporte bem posicionado melhora alcance e coordenação(Rachwani et al., 2015).
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Prematuros mostram mais instabilidade e se beneficiam de suporte no tronco/quadril para organizar o movimento (Sato & Tudella, 2018; Sato et al., 2021).
Tradução prática: estabilizar tronco e organizar quadris → braços e pernas trabalham melhor → mais participação e aprendizado motor.
Para quem e quando usar
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Bebês de 4–6 meses (ou com atrasos motores) que ainda não sustentam bem o tronco.
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Quadros com abdução excessiva (posição de sapo), hipotonia ou dificuldade para alcançar os pés.
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Bebês prematuros e crianças com PC/SD podem se beneficiar de pistas posturais mais claras.
Observação: as Faixas Neuro não criam força ou sensação onde não há via neural; organizam e potencializam o que já existe. Podem complementar órteses/tenis com suporte.
Como aplicar (passo a passo simples e seguro)
Materiais: Nustim Wrap ou Prowrap (posicionamento), e TogRite quando for preciso facilitar a flexão como um “músculo externo” (usar com cautela).
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Mantenha o input abdominal (da Aula 1)
Envolva o abdome abaixo das costelas e acima da pelve. Tensão mínima eficaz: o bebê deve respirar e se mover confortavelmente.
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Conecte tórax e pelve
Com uma faixa larga (~10 cm), faça um “cinto” suave na pelve para ancorar tronco-pelve e reduzir compensações (sem comprimir abdome).
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Facilite a flexão de quadril
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Coloque duas âncoras (faixa ~6 cm) em cada coxa.
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Com TogRite, aplique uma tira de cima para baixo, ântero-superior para ântero-inferior, criando vetor de flexão (simulando iliopsoas) para “convidar” as pernas a subirem em supino. Não aperte: é facilitação, não imobilização.
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Corrija a abdução excessiva
Se o bebê abre demais as pernas, use uma tira suave unindo face interna das coxas (em “ponte” elástica) para lembrar a linha média, sem colar coxa-com-coxa. Objetivo: limitar o exagero, não fechar.
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Tempo e contexto
Use durante a tarefa-alvo (10–20 min): alcançar pés, brincar na linha média, rolar. Varie superfícies e alturas dos brinquedos.
Dica clínica: se o bebê tem muita rigidez extensora, comece com mobilidade suave (pelve/torácica) e só depois aplique as faixas. Pistas respiratórias (2 min) ajudam a “baixar o tônus”.
Benefícios que esperamos ver
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Core mais ativo: flexores “acordam”, extensores deixam de dominar.
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Simetria e linha média: menos assimetrias em membros e pelve.
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Transições motoras mais fáceis: rolar supino→prono, apoio, pre-engatinhar.
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Exploração sensorial: mãos alcançam pés, boca explora, melhora percepção corporal.
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Economia de energia: menos esforço para manter postura → mais tempo de brincar.
Mini-protocolo (4–6 semanas)
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Meta funcional clara (ex.: “alcançar os pés 5× por sessão”, “rolar para prono com mínima ajuda”).
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Sessão-tipo (10–20 min)
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Preparação: input abdominal + respiração.
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Tarefa-alvo: flexão de quadril em supino + alcance dos pés; depois rolar para prono.
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Variação: brinquedos em diferentes alturas/lados; troque superfícies.
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Progressão: acrescente tempo de permanência em flexão, maior variedade antes de pedir velocidade.
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Revisão a cada 2 semanas: pele, conforto, tensão, posicionamentos.
Segurança sempre
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Pele: verifique cor/temperatura; vermelhidão leve ao retirar é comum e deve sumir em minutos.
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Refluxo/gastrostomia: evite logo após mamadas; faça orifício na faixa para acesso ao tubo ou retire na alimentação.
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Tensão: zero compressão que limite respiração ou circulação; TogRite com parcimônia.
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Velcro: nunca na pele.
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Supervisão profissional e não usar para dormir.
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faixas neuro em bebês; flexão de quadril bebê; abdução excessiva quadril; posição de sapo; estabilidade de tronco; desenvolvimento motor infantil; linha média; prematuros; fisioterapia pediátrica; Beverly Cusick
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